Artesanato do CentroCouro e PelesMadeira e Cortiça

Adufe das Beiras

Foto via Wikimedia Commons

O Adufe é um instrumento de percussão tradicional pertencente à família dos pandeiros, que adquiriu a sua especificidade por ter forma quadrangular e normalmente dimensões superiores aos pandeiros.

A sua origem não está bem determinada. É consensual que o adufe veio para  Portugal por via da ocupação árabe, durante os séculos VIII e XII, mas não se sabe se houve um cruzamento com outras tradições, e em particular, com a tradição greco-romana, na qual o pandeiro já surgia com fortes ligações à figura feminina, tal como ainda hoje acontece em Portugal.

Há testemunhos escritos de que, na idade medieval, o adufe estava difundido por todo o território pastoril português. Era tocado essencialmente por mulheres (adufeiras) que cantavam e tocavam o adufe em romarias, canções de trabalho agrícola, eventos festivos de contexto religioso ou profano, essencialmente como forma de afirmação e exibição feminina.

Porém, no séc. XX, foi perdendo o seu fulgor e acabou por se manter na Beira Baixa, aliás com vitalidade assinalável, pelo que é hoje, com inteira justiça, um dos principais ícones culturais tradicionais de Portugal, e onde encontrou no concelho de Idanha-a-Nova o estatuto de símbolo do Município.

O Adufe resulta da aplicação de duas samarras (peles de carneiro ou de cabra) destinadas a cobrir o adufe, que são previamente colocadas de molho na água durante vinte e quatro horas, após o qual é aplicada uma matéria química para eliminação do pelo. Depois, ficam mais dois dias em água misturada com sulfureto de cobre e cal branca, para eliminar o cheiro e permitir que a raiz dos pelos saía facilmente.

Na fase seguinte, as peles, ainda molhadas, são bem esticadas e cosidas umas às outras, sobre os dois lados das armas (estrutura do adufe, constituído por uma armação quadrada em madeira frequentemente em pinho ou mogno), formando uma espécie de bolsa, onde se introduzem as soalhas (peças colocadas no interior do adufe, que podem ser tanto guizos, grãos de trigo ou de milho cru, ou até caricas achatadas) que produzem diferentes sonoridades à percussão. Depois é enfeitado com as maravalhas, que são fitas decorativas compostas por sarja ou flanela, em tons de amarelo, azul, verde e vermelho, colocadas nos quatro cantos do adufe. Por fim, é pregada uma fita no exterior do adufe com a função de tapar as costuras.

Atualmente são poucos os que preservam a arte da construção manual de adufes. Esta arte é passada aos mais novos, pelos artesãos mais velhos, normalmente seus avós. É graças ao entusiasmo e dedicação destes raros mestres do artesanato, últimos profundos conhecedores e construtores de adufes em Idanha-a-Nova e no País, que a construção se mantém.

Encontre esta peça de artesanato na nossa loja

Visitar