Artesanato do NorteMadeira e Cortiça

Bengalas de Gestaçô

Foto de Eduardo Galhardo, via Facebook

As primeiras oficinas de bengalas terão surgido em Gestaçô, terra situada no conselho de Baião, no distrito do Porto, nos finais do século XIX. O grande impulsionador deste ofício foi Alexandre Pinto Ribeiro, que em 1902 abriu a sua oficina de bengalas no lugar da Mó, e revolucionou todo processo de fabrico, ao introduzir uma pequena inovação tecnológica: a técnica da dobragem, que substituiu a técnica de recorte até então usada.

A produção desta bengala começa com a preparação da madeira, esta originalmente vinda da cerejeira, a qual tem que se desfiar para que possa ser cozida durante 5 minutos num pote com água a ferver. Depois da madeira estar amolecida é vergada, de modo a ganhar a forma da bengala, num processo onde são utilizadas formas de ferro previamente aquecidas, para que a madeira não se parta durante a moldagem. Após esta ter arrefecido, fazem-se os feitios, usando neste processo várias ferramentas, como o incho, a plaina e a grosa. Por fim, a madeira é lixada, pintada e envernizada.

Infelizmente, o surgimento da concorrência de outros materiais mais baratos, como o plástico e as fibras sintéticas, e o desuso da bengala na indumentária masculina, provocou o encerramento de muitas oficinas de bengalas em Gestaçô.

Atualmente, é a criatividade dos artesãos que mantém a base da sua sustentabilidade, ao esculpirem e criarem de forma elaborada verdadeiras obras de arte no embelezamento das bengalas, com motivos e desenhos originais, como por exemplo: cabeças de animais; miniaturas; incrustações de madrepérola; prata e ouro.

São estas peças originais e singulares que são procuradas por colecionadores e por milhares de estudantes que, por todo o país, todos os anos participam na Queima das Fitas e com elas marcam o compasso e os vivas ao fim do curso.

 

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