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Bonecos de Estremoz

Foto da Miguel Patrocínio, via facebook.

 

Os Bonecos de Estremoz pertencem a uma arte de caráter popular, e foram o primeiro figurado do mundo a merecer a distinção de Património Cultural Imaterial da Humanidade.

A origem da arte Barrística estremocense remonta ao Séc. XVII/XVIII, quando os bonecos de Estremoz ainda não eram arte, mas sim um passatempo das “boniqueiras”, mulheres que em ambiente doméstico retratavam em barro figuras religiosas imaginárias, destinadas ao consolo espiritual de um povo sem recursos para adquirir figuras em madeira, para os seus oratórios pessoais.

Mais tarde, em finais do Séc. XVIII, começaram a produzir em barro cenas de natividade envolvente à Sagrada Família, nas quais as figuras mais conhecidas eram adaptadas a um gosto tradicional, dando-lhes um carácter mais nacional, fazendo das peças pastores, músicos, etc...

Estas figuras eram criadas com fins comerciais e eram destinadas a consumo por parte das classes populares. Dada a pouca rentabilidade no início da séc. XX, esta forma de arte ficou praticamente extinta.  A tradição foi salva, graças a uma senhora de avançada idade, de nome Ana das Peles, que, com a ajuda de um homem chamado José Maria de Sá Lemos, registou as suas memórias de como fazer os Bonecos de Estremoz no método original: o barro é modelado com a ajuda das mãos e, vai-se podando e acrescentando até que o corpo se complete; depois corta-se uma base, também em barro, onde a peça principal vai assentar; a seguir vem a secagem e a cozedura a altas temperaturas; e, para finalizar, a pintura manual com cores vivas que após secagem é coberta manualmente com o verniz para a sua proteção.

Existem mais de uma centena de figuras de Estremoz. Este reportório, além da sua essência decorativa é também um comprovativo etnográfico, porque mostra a evolução do trabalho e dos costumes do Alto-Alentejo, além da evolução de um eventual contexto histórico, já que há registos de bonecos que satirizam personalidades famosas que se envolveram na história deste país.

Esta arte manteve-se em atividade até aos nossos dias, porque alguns oleiros ganharam o gosto pelo figurado de barro e transmitiram os seus saberes a outros oleiros e familiares.

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