Artesanato do CentroCerâmicas

Cerâmica de Alcobaça

Alcobaça, localidade situada na Comunidade Intermunicipal do Oeste, numa terra abundante em grandes jazidas de argila com caulino. Apesar da falta de evidências que permitam afirmar que em Alcobaça se fazia faiança anteriormente a 1875, julga-se que em finais do século XVI já havia oleiros que produziam cerâmica para abastecimento do Mosteiro de Alcobaça, mais precisamente para os monges cistercienses que marcaram também a arte de trabalhar o barro.

As primeiras referências a uma unidade de produção de faiança decorativa em Alcobaça, datam de 1875. Com o barro branco da região produziram louça pintada à mão e louça de estampilha que abasteceu o mercado doméstico e decorativo local.

Em 1927 inicia-se um autêntico período de renovação, a par da produção de peças utilitárias comuns, produzem peças cerâmicas de aparato, com uma preocupação estética modernista, e peças que lembram a faiança antiga. Esta louça facilmente se identifica através dos seus tons de amarelo, verde, violeta, azul e encarnado sobre um fundo predominante azul.

É grande a diversidade de peças na faiança de Alcobaça, desde o prato, a fruteira, o tinteiro, a molheira, a jarra, a saladeira, o canudo e a travessa…

O início do século XX marcou o surgimento das peças de autor, que vieram renovar a produção cerâmica da região. Em meados do século XX a cerâmica de Alcobaça começou a ser exportada para alguns países da Europa e América, nomeadamente para os Estados Unidos da América e mais tarde para o Brasil.

Na década de 1980 Alcobaça era já um dos principais centros cerâmicos do país, com grande impacto na economia da região. Com a exportação ao rubro e a chegada dos primeiros fundos provenientes da União Europeia, à qual Portugal tinha aderido, iniciou-se um ciclo de inauguração de centenas de novas unidades de faiança, a um ritmo invulgar e nunca visto, que apostavam na produção de produto barato. A abertura do comércio europeu aos países asiáticos e a entrada na Comunidade Europeia de países do Leste europeu, com mão-de-obra mais barata que a portuguesa, contribui para a falência de da indústria de cerâmica de Alcobaça.

Restaram as empresas que aliaram a tradição na produção manufaturada, a qualidade e a inovação (cujo percursor foi Manuel da Bernarda) no design e apostaram na exportação.

A evolução das técnicas e dos estilos de produção, como a utilização de outras matérias primas sem ser o barro branco, a substituição dos fornos a caruma por fornos elétricos e de nafta, que não conseguem produzir a mesma tonalidade de azul que predominava na louça, provocou alguma descaraterização da cerâmica regional de Alcobaça.

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