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Figurado de Barcelos

O concelho de Barcelos, no Distrito de Braga, é há muitos séculos um território fortemente marcado por uma identidade ligada à olaria. As evidências históricas levam a concluir que tal atividade estará implantada neste território há mais de dois mil anos, antes ainda da civilização castreja. A localização numa zona de jazidas argilosas de excelente qualidade, terá sido uma das principais razões que propiciou a ligação de Barcelos a esta arte, sobretudo de peças utilitárias destinadas ao uso doméstico e, posteriormente, ao Figurado.

A olaria era a forma de sustento de muitas famílias que produziam para as feiras locais ou para comerciantes que se encarregavam de vender nas feiras mais distantes. No séc. XIII, o centro oleiro Prado/Cervães era já identificado como um dos mais importantes, entre a região Entre Douro e Minho.

A partir do séc. XVIII e até ao primeiro quartel do séc. XIX a louça utilitária de Barcelos era vendida não só por todo o pais, como também para a Galiza. Durante a segunda metade do séc. XVIII, o surgimento das fábricas de faiança com a criação de produtos inovadores proporcionou uma enorme concorrência às oficinas de olaria tradicionais, que foram sendo progressivamente abandonadas. Já durante os séc. XIX e XX, os avanços tecnológicos, a concorrência de novos materiais (como o cobre, o latão, o estanho, a prata, o vidro e os plásticos), e a alteração das preferências do consumidor por outro tipo de material, refletiu-se negativamente na procura de produtos derivados dos oleiros, e contribuíram para que a olaria utilitária entrasse num processo de decadência. Contudo, paralelamente continuou a existir um nicho de mercado muito interessado no consumo de peças figurativas como elemento decorativo.

A produção do Figurado começou como uma atividade suplementar da olaria, em que os oleiros aproveitavam os restos de barro para criar e cozer no forno, entre os espaços vazios das grandes peças utilitárias, pequenas figuras destinadas a servir de brinquedos para as crianças. As figuras desenvolvidas são um instrumento da nossa cultura e história comum, que retrata em cada época, o seu tempo e as suas gentes. Essas imagens representam cenas de cariz religioso e festivo, cenas referentes à vida quotidiana (profissões, pessoas, animais, etc.), e figuras do imaginário popular, e na sua base era colocado um apito ou um instrumento musical como uma ocarina, uma gaita ou um rouxinol. A figura mais carismática e um dos mais conhecidos símbolos de Portugal e do concelho de Barcelos é o famoso - Galo de Barcelos.

Distinguem-se dois tipos de Figurado de Barcelos. O  Figurado Estatuária que é a designação dada às peças de estatuária de expressão popular produzidas à mão, que podem ter tido como ferramentas a roda de oleiro, o "esquinote" que é um pedaço de madeira para afinar as peças em movimento, e o "furadouro", um género de espátula usada para alisar as superfícies da peça, ou perpetuar os enfeites. Apesar de usarem utensílios, a verdade é que a verdadeira ferramenta são as mãos do oleiro. O  Figurado sortido que diz respeito às pequenas peças feitas em grandes quantidades com recurso a moldes, que eram inicialmente cheios por via líquida, e atualmente, através de uma prensa. Não é possível datar com precisão o surgimento da produção do Figurado sortido, mas sabe-se que em Barcelos era muito abundante entre o início e meados do século XX.

O Figurado, deixou de ser uma ocupação de tempos livres com cariz lúdico, e tornou-se um legado, tornou-se uma herança. Atualmente trata-se de uma produção certificada, que se tem reinventado, com novos artesãos apaixonados que dedicaram a sua vida a esta arte identitária do concelho de Barcelos, pelo que tudo farão para a manter viva com a sua identidade e autenticidade.

Galo de Barcelos

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